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Ponte desaba e caminhoneiro consegue parar veículo

O motorista do caminhão que conseguiu parar a tempo e salvar-se da queda da ponte Morandi, em Gênova, deixou o veículo ainda ligado e saiu correndo assim que percebeu o desabamento do viaduto. "Só me salvei porque um carro me ultrapassou e reduzi a velocidade. Vi o veículo cair com todos os outros. Freei de repente, coloquei a marcha ré, abri a porta e fugi", disse o homem, que não foi identificado, em entrevista ao jornal italiano "La Repubblica". "O caminhão ficou lá, com o motor ligado".
Quem estava embaixo da ponte conseguia ver os limpadores de para-brisas ainda funcionando no caminhão --chovia muito no momento do desabamento da ponte. Segundo a empresa dona do veículo, o caminhão foi abandonado com três quartos do tanque de combustível cheio e ele ainda está ligado nesta quarta-feira (15). "Ele pode permanecer ligado por três ou quatro dias assim, se não superaquecer", diz Annalisa Damonte, da Damonte Transportes.
A estrutura desmoronou na manhã de terça (14), deixando pelo menos 39 mortos. Foram resgatados 16 feridos, 12 deles em estado grave. As autoridades citaram pelo menos 10 desaparecidos e ainda buscam sobreviventes. De acordo com o Serviço de Proteção Civil, 35 automóveis e três caminhões caíram da ponte no desabamento.


 Uma ponte desmoronou na cidade portuária de Gênova, no norte da Itália. Uma parte da ponte de cerca de 50 metros de altura caiu sobre um rio, alguns trilhos de trem e construções. A estrutura desabou por volta de 11h30 (6h30 do horário de Brasília) durante fortes chuvas, informou o Corpo de Bombeiros. A ponte de 1,2 quilômetro de extensão, construída nos anos 1960 sobre a autoestrada A10, passou por reformas em 2016 VEJA MAIS > Imagem: PIERO CRUCIATTI/AFP
Outro motorista, identificado como Afifi Idriss, de 39 anos, também estava sobre a ponte no momento do acidente e conseguiu frear bem a tempo. "Eu vi um caminhão verde à minha frente frear e dar ré, então, também parei, tranquei o caminhão e corri", afirma o motorista marroquino, referindo-se ao veículo da Damonte Transportes.
O trecho que ruiu tinha duas faixas e passava sobre um rio, prédios e trilhos de trem, o que levou os serviços ferroviários ao redor de Gênova a serem interrompidos. No momento do colapso, uma chuva torrencial atingia a região.
Testemunha do desabamento, Ivan, 37, que foi retirado ainda na terça-feira do edifício próximo em que trabalha, descreveu o desmoronamento como inacreditável. "Ver uma pilastra desabar como papel machê é uma coisa incrível", disse. "Sempre soubemos dos problemas. Ela está em manutenção contínua. Nos anos 1990 eles acrescentaram alguns reforços em uma parte, mas mesmo por baixo você vê a ferrugem", contou.
As equipes de emergência seguem trabalhando no local e estão tentando retirar os escombros o mais rápido possível, um trabalho complicado que previsivelmente se prolongará durante os próximos dias, adiantou a Cruz Vermelha em uma nota.
Segundo o vice-premiê e ministro do Interior, Matteo Salvini, entre as vítimas da tragédia de Gênova estavam três crianças de 8, 12 e 13 anos.
Projetada pelo engenheiro Riccardo Morandi, a ponte foi construída entre 1963 e 1967 e chegou a ser batizada de "Ponte do Brooklyn" pelas semelhanças com o famoso local em Nova York. O viaduto mede 1.182 metros e tem 90 metros de altura - mais alto que a Ponte Rio-Niterói, no Rio de Janeiro. Atravessa Polcevera, em Gênova, e passa pelos bairros de Sampierdarena e Cornigliano, que ficam próximos ao aeroporto local. É considerada uma das principais vias de acesso pela capital da Ligúria e, diariamente, o local fica repleto de veículos em congestionamento.


(Com agências internacionais)
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