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Um caminhoneiro é assaltado a cada 52 horas em Curitiba





A cada dois dias, um motorista de caminhão é assaltado nas estradas que cortam Curitiba, segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar).

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 41 ocorrências de roubos de cargas de caminhões nas rodovias que atravessam a Grande Curitiba, entre janeiro e março. O presidente do Setcepar, Gilberto Cantú, acredita que esses números podem ser ainda maiores. “Não existe uma delegacia especializada nesses casos, então os dados não são precisos”, afirma.

De acordo com a PRF, o ponto mais crítico para os caminhoneiros fica na BR-116, na divisa entre Paraná e São Paulo, no município de Campina Grande do Sul. “É um local longe do perímetro urbano e onde existem muitas estradas vicinais, em que pode ser feito o transbordo”, explica Pedro Diniz, chefe do núcleo de policiamento e fiscalização da delegacia metropolitana da PRF.


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As cargas preferidas das quadrilhas são as que contêm produtos mais fáceis de serem repassados. “Cosméticos, eletroeletrônicos, medicamentos, vestuário e alimentos são os mais visados”, conta o presidente do Setcepar. Mas os ladrões de estrada têm demonstrado seguir o lema “o que vier é lucro”: ovos de páscoa e sabonetes, xampus e pastas de dente de motel foram levados recentemente.


Procedimento

Na maior parte das vezes, os ladrões fecham os motoristas em estradas ou postos de combustíveis. Em alguns casos, até mesmo simulam uma blitz, usando coletes da polícia. “Eles prendem o motorista em um cativeiro até que a carga seja descarregada. O caminhão é abandonado e normalmente é achado depois, e depois de algumas horas eles liberam o motorista”, diz Cantú. Ele fala ainda que os bandidos não costumam ser violentos, mas na semana retrasada o caminhoneiro Waldomiro Costa, 64 anos, foi morto com dois tiros na BR-376. Segundo a polícia, o bandido teria tentado assaltar o motorista.

Violência leva PRF a lançar disque-denúncia

O aumento dos casos de assaltos a caminhões do segundo semestre do ano passado para cá motivou a criação de um disque-denúncia da PRF de roubo de cargas, que funciona no (41) 3676-1602. Desde então, já foram efetuadas treze prisões e recuperadas três armas envolvidas nesses crimes. “Também existe o serviço de investigação e o serviço de ronda 24 horas por dia nos pontos mais críticos das estradas e também nos pátios dos postos de combustíveis”, afirma Pedro Diniz, chefe do núcleo de policiamento e fiscalização da delegacia metropolitana da PRF.

Para o presidente do Setcepar, Gilberto Cantú, o grande aumento no número de roubos de cargas no Paraná nos dois últimos anos é motivo para a instalação de uma delegacia especializada nesse tipo de crime. “A gente entende que uma delegacia focada, com trabalho de inteligência da polícia bem articulado e melhor aparelhamento para desarticular essas quadrilhas, resultaria na diminuição dos roubos”, opina o dirigente.

Risco aumentou, relatam caminhoneiros

Há 16 anos nas estradas, Alexandre Kuss, 32 anos, diz que o perigo de assalto nas estradas de Curitiba, principalmente na divisa com São Paulo, está mesmo evidente. “Quando dá fila, os caras vêm na cabine bater para assaltar, e é só em caminhões porque sabem que a gente não está armado e sempre tem algum dinheiro, para os pedágios e óleo”. Ele mesmo já foi assaltado, em Cachoeira Paulista. Foi amarrado no mato por 24 horas. “Devolveram tudo que era meu, documentos, mala, roupas”, diz. Mas o caminhão, mesmo com rastreador, não foi encontrado. Ele conta ainda que evita alguns locais mais perigosos, como postos onde amigos já foram roubados. E o resto “bota na mão de Deus”.

O caminhoneiro Pedro Roberto Dante, 57 anos, também está preocupado com os crimes nas estradas. “Tenho procurado viajar de dia para ficar mais seguro”, relata. “Outro dia mesmo pegaram um motorista e levaram o caminhão que estava levando forro de PVC”, conta.

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